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Blog de paulaovv
 


Quinta feira – 8 de outubro de 2009

 

Acordo pelas oito e não dá. Fico na cama. Às nove levanto pra ler o jornal e cagar. Não apreendo nada. Só sei que o Corinthians empatou em 1 a 1 com o Fluminense no Rio, ontem, jogando mal pra burro. E volto pra cama. Mais uns vinte minutos de cama.

Banho. Separo o terno que tenho que levar pro pessoal da minisérie hoje á noite. Retiro do portamalas as duas roupas de Gênio que peguei na costureira ontem: uma preta com detalhes vermelhos e outra azul com detalhes dourados. Ui! E tb a mala que mandei consertar no SBT e que peguei naquela hora em que comi a esfiha que me deu caganeira. Levo tudo pra dentro. Retiro as roupas de show que estavam estendidas na lavanderia e levo pro quarto junto com as novas de Gênio. Deixo a porta aberta pra dona Rosa entrar e fazer seu trampo. Hoje é dia de faxina.

Atualizações. Orkut não dá tempo. Só mais tarde. Dex levanta e vem brigar comigo por que leu em meu blog que estive num bar que Bortolotto frequenta que tb é freqüentado por putas. O Bas das Amistosas. Ela pergunta se puteiro é lugar de homem casado. Eu digo que é um bar que tem putas e não um puteiro e que fui lá tomar um drink com um amigo, mas que ela tem razão e não vou mais lá. Pronto. A tromba continua. Porra, isso aconteceu em maio, mas ela resolveu ler meu blog e tomou conhecimento apenas agora. Foda. Antes minha mãe não tivesse me tido. Ou metido!

To atrasado e estressado. E cansado. Bem mais de meio dia e vou pro SBT. Uma da tarde, na verdade. Puta que pariu. Puta que me pariu!

Chego em terras abravanélicas pelas duas da tarde. Vou direto comer feijoada chinesa: quinta feira é dia de yakissoba. Loto o prato. Coloco um pedação de pernil. Hoje vou no quilo e não preciso esconder nada sob a salada. Mais de quinze reais. Procuro uma mesa pra comer sozinho e em paz e encontro Dante já fazendo isso. Conversamos um pouco e ele me atualiza em relação á entrega da obra do Valter Leite e ao início da do Flavio Tito. Como mais rápido que ele e o deixo terminando de fazer seus castelos no prato. Eu não disse pra vcs? O Dante fica fazendo construções no prato enquanto come. Junta comida de um lado, coloca um bife como um dique, faz uma ponte, depois abre caminho entre as batatas construindo uma cidade, uma ilha, sei lá. É demente, caralho!

De volta à minha mesa onde só havia passado pra deixar a bolsa masculina.

O Dorival Caymmi demora anos pra inicializar. Puta computador de merda! Pedi um novo pro Dirlan e ele disse que este ano, não!

Tenho o roteiro do “Vc não vale nada” pra terminar. A Larissa, estagiária pré-adolescente, loggou tudo direitinho e agora é só encaixar os depoimentos com as cenas. Mas dá trabalho. E com isso e vários goles d’água, a tarde passa. Porra, tem um cara que sempre esqueço o nome que trabalha na técnica e sempre passa vendendo guloseimas. To precisando de chocolate. Compro um cone com trufa tradicional e casquinha de sorvete. Dois reais. Hum! To com a chocolatria descontrolada.

- Me dá mais um, caraio e pega um real. Fico devendo um!

Devoro mais um cone de chocolate. Depois quer emagrecer, né velho filho da puta? Aninha entra na sala distribuindo sorvetes, provavelmente sobras da construção do açougue de Guarulhos. Mais chocolate pra baixo. To empanturrado de chocolate. Enchi o cu de chocolate. Velho faminto e maldito, sou eu!

Termino o roteiro mais de seis da tarde. A coitada da Nadya ta roteirizando sozinha a obra do WW. Já deve estar no sexto dia. Preciso ajudá-la. Mas é muito chato, caralho! Hoje escapei. Mas amanhã não vai ter jeito!

Atualizo os orkuts. Aproveito e agendo todos os pagamentos do mês na minha conta. Separo uns documentos pra mandar pra contabilidade. Que mais? Dex me liga e diz que vai me dar a honra de ir ao aniversário da Silvana Kieling comigo. Eba! Antes disso, tenho que ir até a Rua Crasso, 194, na Lapa, para mostrar meu terno pro pessoal do figurino da série em que farei uma ponta, “O estagiário”. Isso foi contato do Ângelo Ravazzi. Nem sei se é ele quem vai dirigir. Marquei com a Dex no estacionamento do Extra Anhanguera. O plano é este: vou até a Lapa, faço o que tiver de fazer, volto e cruzo a Dex no estacionamento do mercado. Lá deixamos seu carro e vamos pro bar no Morumbi onde Silvana comemorará primaveras. Na volta, se tivermos animo e sobriedade suficiente, pegamos o carro da Dex. Senão, deixa lá e pegamos amanhã!

A porra do time dos porcos, cujo estádio fica perto do endereço onde vou na Lapa, quase Pompéia, ta jogando naquele chiqueiro de merda com o Avai. Claro que to torcendo prum cataclisma que ponha abaixo este monumento ao asco suíno. Eu odeio este time verde! Chega a me dar ânsia! O problema é que esta proximidade física piora e muito o transito já desgraçado desta cidade, nesta quinta feira chuvosa e morosa.

Ok. Com dificuldade chego á produtora e encontro duas moças, uma delas a Manu, figurinista. Experimento meu terno prela ver. Ela me fotografa. Frente. Costas. Rápido. Fui.

Volto pra região da Anhanguera pra encontrar a Dex que já está batendo bunda pelo supermercado. Ela vem ao meu encontro no estacionamento e vamos pro Morumbi por dentro, pela Praça Panamericana. Não vou me arriscar na marginal Pinheiros com este estado pluviométrico. Dex ainda ta meio de tromba, mas ta linda de saia. Me diz que quer detonar a faxineira que não tem a menor polidez pra falar com ela. Olha a cena.

- Dona Andréa, meu cartão não ta passando no ônibus então a senhora vai ter que pagar a passagem. O empregador é que paga!

Dex responde que nos 70 reais de diária já estão embutidas as passagens.

- Não, Dona Andréa, é que meu cartão não ta passando no ônibus e então a senhora vai ter que pagar. O empregador é que paga!

Dex repete que já estava pagando, mas topa rachar a passagem que custaria cerca de nove reais, dando mais cinco pra ela.

- É, dona Andréa, porque o cartão não ta passando no ônibus e então a senhora vai ter que pagar. O empregador é que paga!

Vai dar o cu velha safada. Sua puta, crente de merda. Analfabeta da minha pica! Vai chupar a rola de um urso polar, desgraçada. Burra de merda! Mal educada.Vai empregar seu cu numa linha do metrô, com um trem cheio de vagões entrando cu adentro.

Dex vai ter um atrito com esta mocréia. E se não tiver, eu vou!

Vou cortando caminho e já to na Francisco Morato. A rua do bar é uma travessa do outro lado. To tentando retornar, mas não acho onde. Dou um gato neste farol e já era.

Zeca, dono da Churrascaria Papai Côgo onde almoçamos em Ponta Grossa, sábado, me liga pra bater papo. Gente muito buena. Mas não posso falar agora que to dirigindo e procurando um endereço, porra! Ele quer ingressos do ACDC. Quem não quer?

Olha o bar aí. Bye, Zeca.

Barzinho transado. Bem decorado. BarBolla. Será que é boca livre? I love free mouth. Entramos e cumprimentamos Silvana que ta linda num vestido claro, deixando quase á mostra os peitos siliconados. Sil ta num shape meio de americana: pouca bunda e muito peito. Mas ta sorridente, bela e feliz. Brigado pelo convite, Sil.

Mal a gente senta á mesa e a mocinha pergunta o que vamos beber: caipirinha, pró secco, cervejas, refrigerantes.

- Cerveja. Qual vc tem ?

Ela diz Original, Serra Malte...

- Serra Malte!

Não marcou nada, então a boca é livre mesmo! Na mesa em frente da porta há pães, tábuas de frios, patês. To com fome. Dex tb. Charge!

Tamaqui, bebendo, comendo, conversando, sozinhos na mesa. Sil vem apresentar um de seus filhos, o mais velho suponho, que diz que tava em Piracicaba no dia que a gente tocou no Salve Jorge e disse que quase foi ao show. Deveria ter ido. Foi divertido. Depois chega o outro filho, este eu já havia visto algumas vezes no SBT. Diz Silvana que ele já curtia a banda e ficou mais fã meu por causa do CQC.  Grazie! Aliás, muita gente no bar vem falar comigo sobre o assunto. Ê CQC veio de guerra! Me arruma um trampo aeh, ô! Be ajuda aêh, ô! Caraio, fico lembrando do Rogério Morgado imitando o Datena e começo a rir sozinho. A bebida, a festa legal, a gentileza da Sil, a mpb tocada suavemente pelo cara do violão e o batera, tudo induz a uma noite boa e Dex vai desfazendo aquela tromba. Conversa em movimento, chega Vanderley Villa Nova, diretor do Ídolos e meu diretor em vários programas no SBT e na Record, no passado. Ele é casado com a Ivonete que é produtora do Domingo Legal. Não vejo Vanderley faz tempo e começamos a conversar. Como o Ídolos é da Fremantle, uma produtora independente gringa dona do formato, ele me diz que não ta mais na Record. Que sorte escapar daqueles crentes do cu quente! E parece feliz.

Opa, chegou a Tânia, tb da produção do DL, com o namorado. Mudamos pruma mesa maior. Chegam Flavio Tito e Camila, diretor e produtora do DL, respecticamente, e tb um casal na vida real. Mais papo, mais, muito mais Serras. Fabiano Guaraldo e Natalia na área. Fabiano foi com Gugu pra Record e ta sob a direção do Homero por lá, dirigindo algum quadro. Coitado! Natália ta apresentando alguma coisa, Hoje em Dia, maybe!

Parabéns. Bolo. Silvana ta meio breaca. Só a bebida explica o fato de me colocar pra cantar as pérolas das Velhas Virgens na sua festa. Ah, vc quer, aniversariante? Então bora!

Mando, ao violão e acompanhado do cara da batera, Siririca Baby. Uns riem, outros dançam. Termino e vou saindo, mas Silvana quer mais. Mando Blues á Perigo. Foi todo mundo pro outro lado da festa, exceto Dex que tá dançando na minha frente. Agora animei. Mando “Se vc tem dinheiro”.

Anuncio que minha canja estava combinada para terminar com a festa. E saio.

Mais uns drinks e vamosimbora? Mais de uma da matina. Despedidas, Fabiano, com quem falei pouco durante a noite, me pergunta do CQC e, mais que isso, me questiona se já liguei pro Alan Rapp, nosso antigo brother de trampo e diretor do Pânico. Digo que não, meio sem saber a razão.

- Então, liga, né?

Caraio. Por que não pensei nisso antes? O cara é mano. Um contato nada fará de mal e pode até fazer muito bem! Boa, Fabiano! Amanhã cuido disso.

E fomos. Dex não quer pegar o carro. Ta meio breaca. A cidade fria e úmida ta silenciosa e libre. Libre ou livre? Livre, caraio.

Em menos de meia hora tamos em nossa deliciosa casa na beira da serra de la Cantareira. Dormir, gente! O dia que começou tenso e terrível termina na paz de uma ou doze Serras! Brigado, Jesus!

É noise!

 



Escrito por paulaovv às 10h26
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Quarta Feira – 7 de outubro de 2009

 

Sete e to legal, ainda sentindo a ferida da frieira no dedinho e as costas.

Jornal. Blá, blá, blá! Merda. Chuveiro. Internet.

Tenho que chamar a Dex nove e meia. Tenho que ir á costureira provar e pegar as roupas. Preciso pegar um DVD pra levar na gravação do “Calcinha Justa”, que o Calazans me chamou pra gravar lá pelas 17h. Depois vou ver o lance do curta na Anhembi-Morumbi. Mas antes disso, tenho que acompanhar depoimentos do “Vc não vale nada” no SBT e fazer o roteiro da reconstituição. E , se der tempo (e tem que dar) comer uma feijuquinha, que ninguém é de ferro. Fui!

Chego ao SBT e os depoimentos ainda não começaram a ser gravados. Inicializo meu computador. Tem uma mocinha que ta fazendo um documentário sobre o Bixiga e quer gravar um depoimento comigo. Ta me ligando pra marcar. O pessoal da série quer me ver de terno e tirar medidas. Semana que vem o Ângelo deve marcar o piloto daquele programa comigo. Todo mundo da banda cheio de compromissos e sem tempo de ensaiar o show de lançamento do novo cd que é semana que vem. Fico mandando e-mails pra todo lado e cada vez que um diz que pode tal dia, outro diz que não pode. E todo dia é blog, é twitter, seis perfis de orkuts, e-mails. Sinceramente, to á beira de um ataque de nervos!

Desço pros depoimentos aqui do SBT. Termina perto das 14h. Preciso finalizar este roteiro até umas três, descer pra comer algo correndo, pegar uma bolsa que mandei costurar, voltar para ver se o diretor quer alterar e sair correndo pra entrevista no Calcinha Justa (Sex Privê Brasileirinhas) que vcs devem saber, é um talk show conduzido pela Leila Lopes com a participação de atrizes pornô comentando vários assuntos e agora entrevistando um convidado.

Roteiro pronto. 3h15. Entrego pro diretor e pra equipe. Desço pra praça de alimentação. A lanchonete que serve uns sanduíches mais decentes tem uma fila enorme. Vou na outra. Sempre que como nesta outra tenho caganeira. Esfiha de carne. Coca Zero. Esfiha de calabresa. Halls. Pego bolsa. Volto pra produção. Jotaerre aprovou o roteiro. Ta armando um temporal lá fora. 3h35. Fui.

Anhanguera e Marginal Pinheiros livres. O resto ta bem lento. Nove de Julho. Soltei vários peidos bombásticos aqui no carro. Mais um. Opa, este tá meio molhado! Hum, borrei a cueca! O transito pára, pego um folheto sei lá de quê, solto o cinto, abro a calça, levanto do banco e enfio o folheto na bunda, pra evitar do peido úmido acessar a cueca, a calça, o banco, o mundo! Por ora, ta sob controle, apesar do desconforto de ter um folheto de venda de imóveis pertinho do olho do cu.

Chego á produtora na Vila Mariana pelas 17h. Direto pro banheiro. Dou uma cagada liquida federal. Antes de entrar no box, peguei dois tufos de papel higiênico e molhei com água e sabonete liquido. Agora, dentro da minha privacidade, termino de cagar, limpo a bunda com papel seco, passo o papel com sabonete, depois o papel com água e finalizo com papel seco novamente. Tiro a cueca pra verificar se passou pra ela, mas está limpa, o que livra tb a cara da calça, do banco, do mundo. Tá tudo limpo!

E tudo atrasado tb. São quatro os entrevistados e pedi para ser o último. Mas o combinado era iniciar as gravações ás duas da tarde. Já são cinco e começou agora há pouco. Quem ta lá dentro com Pamela Butt, Leila Lopes e Bruna Ferraz é Jazz Duro, o correpondente porno-internacional do canal. Aqui fora tá o Calazans, produtor executivo, Fernandinho que comeu a Julia Paes, produtor, e o Newton esqueci o sobrenome, que é diretor e autor teatral e está colaborando em uma novela da Record, no momento. Ele será o segundo entrevistado. O terceiro é um tal de Cowboy da última edição do Big Brother que eu nunca vi mais magro. Como este cidadão ainda não chegou, peço que me passem para terceiro. Fico ali, batendo papo.

A gravação acaba e as musas do pornô passam em direção ao camarim. Muito tempo de conversa e maquiagem e começa a segunda gravação, já passando das sete da noite. Calazans me conseguiu um violão e vou estragar algumas canções das VV ao vivo. FC Moraes, chefe do canal pornô, tb ta na área. O dono da Brasileirinhas, um escroto mal educado chega pra atrasar ainda mais a parada. Jazz Duro, que tb é ator pornô, ta de boa, pra lá e pra cá. Tom, meu sempre parceiro de redação e autor dos roteiros que estão sendo gravados hoje tb ta dá as caras. Ta todo mundo aqui.

Papo vai, papo vem, dedilhadas no violão e chegou minha vez.

Leila muito gentil, Pámela de pés lindos, Bruna lindíssima, um poodle chato pra caralho latindo e tamo rolando. A direção é do J. Gaspar, o diretor de filmes com celebridades, como Frota, Gretchen e outros deste naipe. Gaspar é muito gente boa!

Toco várias canções, falo minha demências habituais, as moças riem. E terminou. E saio correndo, pois já são dez da noite e não almocei, me caguei, não jantei e to atrasado pro compromisso da Faculdade com o pessoal do curta. Saio, ligo pra Bárbara que é meu contato nesta onda do curta e pergunto se ainda adianta ir. Ela diz que sim. E lá vou eu descambando da Vila Mariana pra região da Mooca. 15 minutos de transito livre e tamaqui. Ligo novamente pra Bárbara e ela manda alguém me buscar na portaria. To dentro. Um dos caras do grupo se dispõe a passar o texto comigo. A cena é a de um cara que ta tendo problemas de ereção e procura um médico. Eu sou o médico que o aconselho a parar de fumar.

Passo uma, duas, entro no estúdio pra gravar e  finalmente conheço  Bárbara, a aniversariante da noite, a mocinha que me convidou pressa “bagaça” através do twiter, quem sabe esperando que eu não aceitasse. Nem sei bem porque aceitei. Já to com a vida suficientemente atribulada, mas me pareceu intuitivamente correto topar e ajudar a universitariada. Ela é fanzaça da banda e me abraça efusivamente.

Cena gravada duas vezes, uma pior que a outra. Não sou ator. Ok.

Vai ter uma festinha surpresa pra Bárbara e eles me convidam a ir até o bar tomar uma cerveja. Sem almoço e janta, eu bem que to precisando comer uma cerveja. O bar é mais distante da porta da facul e toca rock. Os mais próximos tocam sertanejo, pagode, sei lá! O resto do pessoal do grupo parece ser fã das VV, especialmente, como eu já disse, a aniversariante que ta enredada no namorado, viu Dex! Eles me perguntam sobre o CQC, sobre a banda e rola um parabéns neste buteco roqueiro e interessante. Tomo breja com a moçada. Eles precisam ir embora, pois todos usam metrô e ta chegando a hora do trem fechar suas portas. Bora? Bora!

Ligo pra Dex que ta meio puta com algo. Hum, cheiro de confusão no ar. Aviso que vou a Terra Nova comer e beber umas cervejas que to precisando. Pergunto se ela quer ir, mas Dex diz que já vai dormir. Ela não teve um dia fácil. Fez uma entrevista de trampo e acha que não foi bem. Mais que a grana, o desemprego da Dex me preocupa pela autoestima dela que ta indo pelo ralo.

O Terra ta fechando. Claro que to dentro. Brejas, picanha na tábua, bom papo com Heinz e Lola. Tem uma mesa de habitues tb, todos conhecidos e bons bebedores. Alguém diz que André não tem aparecido na área e imediatamente ligo pra ele que me atende com voz de sono.

- O pessoal ta sentindo sua falta no bar.

Ele desconversa e mal espera eu terminar o papo pra desligar. Ta bodeado mesmo. Mais cerveja. Paulinho quer um ingresso pra ver o AC/DC e pergunta se eu posso ajudar. Como? Não tenho nem pra mim! Marcião vai fazer uma tatuagem de tigre albino amanhã. Ou não. Ele não sabe. Vaine diz pra ele fazer. O papo segue sem sentido e animado e toca a campainha. Caraio,é o André. Saiu da cama pra beber. Uhu! Seguimos bebendo. E bebendo. Três da manhã e ta na hora de ir pra casa.

Chego. Dex me pergunta algo sobre um puteiro do Bortolotto que eu freqüento. Não entendo nada. To bebão. Rola uma discussão. Quer dizer, ela discute comigo. E vai dormir no sofá! Puta que pariu, que foi que eu fiz desta vez? E o pior de tudo: passei uma quarta feira sem feijoada! Puta que pariu mesmo!

 



Escrito por paulaovv às 12h43
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Terça Feira – 6 de outubro de 2009  

 

Sete da manhã e as costas doem. Que medo de travarem novamente. A frieira do dedinho do pé direito que eu “escavoquei” anteontem dói. Tá uma ferida. Eu sou uma besta.

Jornal. Pessoal reclamando da transferência do exame do ENEM. Lula deve chegar hoje da campanha vitoriosa pela Olimpíada de 2016 no Rio. Marta não quer ouvir falar de Ciro Gomes candidato ao governo de sampa numa coligação com o PT. Marta: vai se foder! Não suporto esta mulher!

Que mais? Uma matéria especial com esta galera que posa nu (ou nua) para pintores. 20 minutos completamente imóveis para 30 segundos de descanso e um cigarrinho. Minha cunhada, Lena, é pintora e disse que se eu quisesse posar nu seria legal. Não pra ela, mas pra galera. Há uma carência de modelos de nu e eu seria um bom modelo. Sinceramente, com esta pança pronunciada, prefiro incluir-me fora desta e poupar o mundo desta visão peládica.

E chega. Banho. Internet. Tenho tanta coisa pra fazer hoje. Entre elas, pegar as duas roupas restantes do Genelvis na loja de fantasias.

Meu carro, como vcs sabem, tá no sbt. Por isso Dex vai me dar uma carona ou até a Barra Funda ou até terras abravanélicas. Vamos ver o que mais convém. Fui.

Fui o quê? Sinda to aqui. Acordo Dex pelas nove, quando começo a tentar introduzir as músicas do novo cd no I-pod. Quando o “bichinho” travou, mandei num cara especialista na esperança de não perder alguns sons que estavam lá dentro. A maioria eu tenho aqui neste computador, mas alguns andei copiando por ai. Bem, não teve jeito e o cara reformatou a “bagaça” e acabei ficando com o I-pod zerado. Quando fui copiar algumas coisas deste computador, não sei que porra fiz que entrou tudo de uma vez e ficou meio que imutável. Não consigo excluir e nem incluir som nenhum.

Então, já descobri, a saída é reformatar novamente, perders os sons e programar esta porra pra receber sons individualmente. Com muita dificuldade, dado o nível de ogrismo que permeia minhas ações internéticas, consegui colocar o NBCL pra dentro. E por enquanto só tem ele. Preciso decorar estas porras destas letras e aposentar as colas no palco.

Termino este processo no mesmo momento em que Dex se apronta. Falo um bom dia pra ela, me esquecendo que esta infeliz só desperta de verdade lá pra meio dia. Antes disso é um zumbi rosnador que mal olha na cara de ninguém. Saímos de casa sem nos falar, já que ela está possuída pelo sono eterno. A idéia era passar naquela loja de bebidas importadas e achar um vinho bem legal pro André, que fez aniversário ontem. Mas a porra do comércio de importados está fechado. Ninguém compra bebida ás nove e meia da manhã, Paulão!

Estico até o Pão de Açúcar e escolho um francês Cabernet - Syrah que me parece adequado. Iríamos ahora para a costureira, mas já são quase dez da manhã e se eu for, certamente terei que experimentar as roupas e perderei tempo que faltará para que eu chegue na Barra Funda até as onze e pegue o busão pro SBT. Sendo assim, Dex teria que me levar até a saída 19 da Anhanguera e, do jeito que o transito desta porra de cidade querida está, isso não levará menos de duas horas, entre ida e volta. Nenhum ser humano, mal humorado ou não, merece tal castigo. Costureira transferida pra amanhã.

No caminho Dex me dá um beijo e me abraça. Uhu! Salvou-se uma alma! Este é o jeito dela de admitir o erro e pedir desculpas. Se fosse eu, teria que fazer o caminho de Santiago de Compostela de joelhos para obter um indulto. Mas vindo de quem vem, ta ótimo!

Barra Funda. Quase esqueço o vinho do André no carro. Atravesso a estação e estou na plataforma de embarque onde param tanto os ônibus do SBT quanto da cia aérea Azul. 10h20. Coloco o I-pod e começo a tentar decorar as canções. E não é que elas vão entrando na cachola? Repito Ninguém Beija como as Lésbicas parte a parte e vai rolando. Assim tb com FDP. Já no busão, é a vez de Velho Safado. De quebra ainda rola Bortolotto Blues. Ta começando a entrar mesmo na minha cabeça. Vai ficar faltando O Amor é outra Coisa, mas prum começo de trampo ta ótimo. Terei muitos consgestionamentos pra decorar estas porras ainda esta semana. Me aguardem! São só dois neurônios funcionando, mas estão em forma!

SBT. Primeiro passo na sala do pool de redação que está mesmo sendo desativado pra cumprimentar André. Só restam quatro mesas. Que visão triste! Já disse pra vcs, foi o lugar mais do caralho que já trabalhei em TV. Pena.

Entro na sala do DL pouco mais de onze e meia e descubro que Magrão já fez a reunião. Empolgado com a vitória maciça de domingo (10 a 8 na Record, com direito a liderança geral em mais de uma hora), Magrão, irônico, decretou pouco antes da minha chegada:

- Vcs querem me foder. Vcs estão dando muito Ibope. Deste jeito nem precisa reunião. Tá cancelada!

Este é o estilo do Magrão. Ele trabalha o entusiasmo das pessoas, diferente de uns e outros que usam a pressão e o terror. Sou fã de Roberto Manzoni! Aqui as pessoas vão á luta com tesão.

Minha mesa. Flavinho já vem me trazer a bucha da cirurgia plástica da menina de dez anos atrás. Tem obra do Valtinho sendo entregue. Tem a do WW em andamento. Ed com os textos dele, Jorjão com alguma outra bucha e fazendo tb a obra do Valtinho. Basta pisar nesta porra que os problemas brotam. Vamos destrinchando. Uma tretinha de domingo, quando uma cantora foi chamada ao palco com o Bello e nenhuma informação sobre ela foi passada em ficha. A gente resolve. Almoço.

Tem fitas pra assistir da tal matéria da cirurgia plástica. E discos. Magrão me inclui na reunião da pré-produção do Vc não vale nada, mas eu gosto de Vc. O quadro foi bem e vamos intensificar as gravações, sempre com tom de humor.

Carta definida. Produção armando depoimentos para quarta ás onze. Clip será gravado depois. Reconstituição, em cima do meu roteiro, gravada na quinta. Ok.

Fico envolvido com as fitas e discos  da outra matéria até umas seis e meia e depois roteirizo. Ainda acho tempo para ler os textos da mocinha da Anhembi-Morumbi que me convidou pra atuar num curta, em cuja reunião irei quarta á noite. E nos descontos, revejo os sets dos shows do fim de semana e sugiro um set alternativo para Assis, sábado, e ainda o que vai ser o fixo para a estréia oficial da turnê do NBCL, em sampa, dia 16, Inferno Club. Pronto. Niquiqui eu to saindo, Dex me liga no celular estranhando o adiantado do horário. Trampo, nêga!

Chove lá fora. Passa de nove da noite. Expectativa de congestionamento na marginal. Não. Até que não. Chego perto das dez. Tomo banho e ataco Dex antes mesmo de jantar. Quero nenê, porra! E num é que é divertido?

Agora sim, jantar. Cerveja Dado Bier pra acompanhar. Subimos pra ver um pouquinho de Tv e começo a pescar. Vamos ambos pra cama e lá se foi a terça feira. Quarta promete. Eu prometo que vou dormir.

 



Escrito por paulaovv às 09h03
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Segunda feira – 5 de outubro de 2009

 

O busão ta parado em algum ponto da estrada. Dou uma olhadela no relógio e correm oito e pouco da manhã. Nunca lhe ocorreu que horas são oito e pouco? Pense bem: é menos que oito e meia e bem menos que oito e tanto e muito menos que quase nove. Se levarmos em conta apenas a primeira meia hora das oito da manhã, pra ser oito e pouco teria que ser até uns dez minutos, senão a gente já falaria oito e quinze e daí por diante. Poderíamos dizer tb quase oito e meia, reiterando que a meia hora é uma referencia universal. Oito e pouco é isso. Oito e quanto? Oito e pouco. Mesmo com o fato do meu relógio ser digital e marcar oito e oito. Só que o maldito do “bobo” , como o chamavam os malandros de outrora num referencia aos relógios de corda, está três minutos adiantado. Meio sonado como estou levo uns dois minutos para descontar o adianto e quando olho já são oito e dez. Menos três, oito e sete. Oito e pouco e foda-se! O busão ta parado, os motoristas devem estar tomando um café e da banda ninguém se mexe. Uma parada fantasma. Passa-se algum tempo, real ou psicológico, e voltamos pra estrada. Oito e qualquer coisa. Durmo de novo. E neste dorme, acorda, dorme, acorda, o telefone toca. É a Dex dizendo que vai consertar a panela de pressão e que se eu chegar, melhor ligar pra ela no celular. Informo que ainda demora. São nove e tanta. Abro a cortina e vejo o Tietê ao meu lado. Tamo perto. Ligo pra ela de novo e informo: estamos entrando em sampa e para chegar até a Gabaju, na zona norte, vai levar pelo menos mais duas horas, devido ás obras e a intransitabilidade crônica desta porra de cidade que eu amo, a despeito de prefeitos anti-bares, anti-cerveja, anti-barulho, anti-vida como este merda do Kassab. Filhote da ditadura, diria Brizola!

10 e pouco no relógio.

Vai, vai, transito, transito, tamaqui. Round mid-day e a dificuldade de sempre de estacionar um busão leito deste tamanho para o descarrego. Ok.

Dex me ligou que já ta na área. Desço minha mala pessoal aonde acoplei o saco da lavanderia do ultimo hotel com as roupas molhadas ou semi. Volto pra pegar a malona de figurino, pesada! Entro na Gabaju e cumprimento todo mundo: Marquinho, Vini, Nat, André, Fran, a Patty que ta de volta e o outro rapaz que eu não sei o nome ainda. O pessoal da técnica corre com a descarga e eu preciso cagar. Juju ta na fila do banheiro de baixo. Eu a empurro, mas já tem alguém la dentro. Penso em usar o banheiro de cima, mas desisto e vou pro carro carregando minhas bagagens. Dex troca idéias com Lu, mulher do Simon, e com Fefê, a filhota que beija (?) a barriga do pai. Bora.

Me despeço de todos, inclusive voltando pra dentro do busão pra dizer tchau pros motoras e pro Banas que está a paga-los. Fui.

Proponho pra Dex ou irmos almoçar fora agora ou deixarmos uma saída pro fim da tarde, começo de noite, lembrando que em algum momento preciso atualizar os dois dias de defasagem do Blog. Ela me informa que convidou seus pais pro almoço lá em casa e que preparou rango. Ligo pra sogrinha e ela confirma a ida até nossa goma. Ok. Mais tarde a gente inventa algo. Home.

Além das minhas tranqueiras de viagem, Dex comprou algumas coisas no mercado e consertou a panela de pressão. Acho . Tudo devidamente descarregado, Dex começa a cuidar do almoço e eu da desova dos secos e molhados.

Rúcula com bacon de um lado. Figurinos pendurados ao sol do outro.

Lasanha a bolonhesa no forno. Roupas molhadas na máquina de lavar.

Movimento de ida e volta da cozinha pra mesa do quintal.

Subida e descida com malas e roupas não usadas para meu quarto de roupas.

Vou pro banho. Opa, aquela cagada antes! Deixei o celular carregando pois, como raramente acontece, ele descarregou por completo sem que eu pudesse lhe devolver o poder, uma vez que esqueci a porra do carregador em sampa. Banho. Pra baixo. Ligo pro André Prata, meu ex-parceiro de redação, cujo aniversário é hoje. Só dá caixa. Deve estar gravando o SS. Aliás, este foi um fim de semana de aniversários. Lily na quinta, Marcão da Mooca na sexta, meu irmão Bi no sábado (Bi de Boitron), meu primo Vartão no domingo e hoje o retador mineiro.

Aproveito e ligo pro meu primo pra cumprimentá-lo atrasado, uma vez que não consegui contato ontem. Ele me explica que estava usando o outro celular. Diz que sofreu mesmo um acidente feio de moto e que acha que “colaram” seu braço de forma errada, pois ta com um calombo estranho. Fico de tentar achar tempo pra gente tomar uma cerveja esta semana, mas sei que vai ser difícil eu ter tempo.

Almoço delicioso na companhia da dona Lívia e do seu Ricardo, além da Dex e dos quitutes que ela produziu. Coca zero. No beer now! Dex ta me saindo uma bela cozinheira. Rango e conversas em andamento.

Papo e café na sala. Dex vai Internet ver se há algum e-mail com novidade de trampo. Dona Lívia dá cabo da louça. A máquina terminou de bater a primeira leva de roupa. Estendo. Coloco uma segunda leva, de roupas claras, adicionando tb dois lençóis de cama.

Os sogros se vão ver o Bafo. Dex vai cochilar e eu atualizar os blogs. Caraio, tem muita história pra contar. Banas me liga do Bar do Léo, mina onde jorra o melhor chopp de sampa, no centro. Agradeço o convite e declino, sei o quanto de trampo tenho pela frente. Penso que dia 16 de outubro, daqui alguns dias, vou mesmo parar com o Blog e escrever apenas eventualmente, sem a obrigação diária que ora me norteia. Foi isso que eu combinei comigo mesmo: este blog seria um diário da produção do novo cd e quando do lançamento deste, pararia. Neste meio tempo aconteceu muita coisa. Fatos que muitas vezes suplantaram as informações sobre ensaios e pré-produção do disco. Ok. A vida ta aí pra surpreender a gente, sempre!

Passo a tarde nisso. Antes estendo a segunda leva de roupas. Dex acorda e resolve sair de novo pra consertar a panela de pressão que continua não funcionando, mesmo com a tal de borracha trocada. “Comprei uma panela de pressão pra ver se eu cozinho mais depressa” ou “comprei uma panela de pressão pra ver seu cuzinho mais depressa”.

Quando ela volta eu to com o saco na Lua de tanto escrever. Convido-a para sair. Ela escolhe. Ela não sabe. Vai tomar banho. Eu to pronto. Quero ir na Mercearia Laura Aguiar tomar breja importada e boa. Ela, claro, quer qualquer coisa menos isso. Vamos no Japonês perto da casa da Carlota e do Álvares. Até os convidamos a descer e se juntar a nós. Mas eles estão de bode do fim de semana. Pra mim, fim de semana é hoje.

A moça que atende a gente é burra como uma porta. Tão burra que mesmo quando insinuo ter desconfianças sobre sua capacidade intelectual ela ri, como uma hiena retardada. Peço Brahma extra. Só tem Bohemia. Lixo. L-i-x-o!

Peço Yakissoba. Dex pede um rango com algo parecido com Bife á Milanesa. Primeiro vem o Yakissoba. Pergunta pressa “jéga” se ela pode, por obséquio, trazer a merda da long neck mais horrorosa da terra, a porra da Bohemia que ta com gosto de perfume e faz tempo. Já pedi duas vezes e a infeliz ainda não trouxe. Trouxe. Pelo menos ta gelada. Eu e Dex terminamos o Yakissoba. Eu sei que o restaurante é japonês, mas prefiro comida chinesa. Chega o rango da Dex. Este lixo da Bohemia é uma merda, mas ta mesmo bem gelada. O rango da Dex traz bife com gosto de peixe, segundo ela. Troca. O cara na cozinha deve estar fazendo um vudú com a gente. Trocou o prato da Dex. Pedi aquele empanados, tempurá? Dex terminou o dela. Proponho um saquê, mas ela não quer. Como meus empanados. Dex quer aquele doce que parece uma batata, mas é feito de banana. Pronto. Bora. Quero ir no Zé, no Mercearia, beber cerveja boa. Dex reluta, diz que estamos estufados. Estamos mesmo. Insisto em ir ao Zé. Tá com as portas semi-fechadas. Não é dia de tomar cerveja boa mesmo! Go home.

Lixo na rua. Me espeto com umas plantas que foram podadas pelo tio Chico que fez bico de jardineiro no fim de semana. CQC na TV. Não sei se quero continuar assistindo isso toda semana. Que é legal, é!  Mas me deprime um pouco. Parece me mostrar algo que poderia ser meu, mas me foi negado. Quer saber? Vou dormir! Dex vem junto. São onze e tanta da noite.

 



Escrito por paulaovv às 08h50
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Domingo – 4 de outubro de 2009

 

Chacoalha - coalha no ônibus. Começo a recobrar a consciência e já estamos em Telêmaco Borba. O Hotel tem uma escada complicada preu carregar a porra da bagagem. Levo tudo pra cima e me dão um quarto que é no mesmo andar. Obrigado, isto facilita muito o manuseio das malas.

Gente, que quarto é este? Uma suíte, com sala incluindo sofá, mesinha, duas poltronas, um computador só pra mim. Banheiro, cozinha. O quarto tem uma puta camona de casal. E outra cama de solteiro ao lado. Tv de plasma no quarto e na sala. To bem ou não? Nosso contratante e amigo Robinho foi forte desta vez. Não sei se já disse pra vcs, ele tem duas tatuagens iguais ás minhas nos braços.  Penduro a roupaiada e caio na cama. Nada de almoço hoje. Fico ali, meio que dormindo e acordando várias horas. Meio dia e pouco, Robinho, o bambi, liga me convocando pro almoço. Peço prele me arrumar uma marmita. Preciso descansar.

Fico assim até três da tarde. Ai falo com a portaria e Robinho vem me buscar pro churrasco que ta rolando no clube onde vamos tocar. Roy ta com ele e os dois estão movidos a latinhas de breja. Este Roy gosta de uma farra, mano!

No clube a técnica ta trabalhando no som. Eu mando uns pedaços de churrasco pra dentro, acompanhados de tomate, arroz e uma skol. To comido. De volta pro hotel. Eu não disse, mas o pessoal do hotel colocou um bombom e um bilhete super gentil para nos recepcionar, agradecendo a preferência, se pondo á disposição para qualquer coisa e desejando bom show e breve retorno. Só tive coisa parecida com esta quando fui participar do carnaval de Salvador a convite da galera do Andrezão, onde além de um bilhete como este, ainda havia abadás pra vários blocos e uma garrafa de Black Label. Fora transporte e hospedagem pra mim e pra Dex. Uhu!

Aproveito a mamata do computador no quarto e atualizo o que posso do blog, twitter e e-mails. O show vai ser mais cedo por aqui. Nove da noite. Banas me liga por volta de seis e meia dizendo que a saída é sete e meia. Sigo escrevendo e descubro que a porcada ganhou de 3 a 1 de virada do Santos na Vila. Fora o baile! Ta foda, não é hoje que vou me vingar do Roy.

Portaria do hotel. Bora. Vamos em vários carros. Robinho se vira como pode para fazer uma boa produção, mas van não coube no orçamento. Não tem problema, mano. Tamo junto.

Camarim. Bebericos. Passei a tarde com cólicas intestinais e cagando até o que não comi. Espero que tenha cagado tudo. Cervejinha? Sim! Peço que Ricardo faça aquele drink estranho que me liga. Banas faz uns comentários sobre a dificuldade de abrir pro AC/DC, assim como sobre a fraca expectativa de público pra hoje, o que me deixa de bode. Peço pra ele não vir com estes assuntos antes de show que me derrubam. Eu quero abrir pro AC/DC e eu vou! E vai ter uma galera animada hoje. E se só tiver uma pessoa na platéia vamos tocar com a mesma rola dura de sempre, puta que pariu!

Robinho traz a família pra gente conhecer. Filhos, esposa, todos corinthianos. O patrocinador do evento é um porco chato. Pense num porco chato! Pensou?  Este é pior. Mas a esposa dele e os filhos são corinthianos. O diretor do clube traz cds pra gente autografar. Era ele quem tava cuidando do churrasco hoje quando almocei. Gente boa, o Pintinho!

Vou cagar. Voltei. Bora. Genelvis na área. Uma entrevista pra TV. Vamo?

Mesma estrutura do show de ontem, com algum cuidado pra não cometer os mesmos erros. Não ta lotado, mas ta bem legal. Vamonois. E tudo sai ainda melhor que sábado. Juju faz o discurso direitinho em Cafajeste. O resto vai indo bem. Fim. Bis. Tem muita molecada de 10, 12 anos na área. Uma meninas, certamente com menos de 18 anos na frente do palco, corando a cada putaria que eu pronuncio. Será que vamos ficar pops agora, meu Deus? Pelo menos livramos estas meninas de gostar de bandas emo, porra. Aqui é rock’n’roll, caralho!

Acabou. Camarim em festa. Vou falar com a galera lá fora. Abraços, fotos, autógrafos. Volto pro camarim. Ta uma farra só, Robinho de esbaldando. Olho pro Marquinho, nosso motora e pergunto se tenho chance de ir pro busão agora. Ele me escolta. To cansadão. Não sei se pela tensão do show novo ou se por terem sido três dias intensos. To cansado!

Antes de sair um fã aparece e me mostra o filhote ainda de colo. Vitor? Pego o menino no colo e tiro fotos. Lembro que ontem, em Ponta Grossa, tb peguei uma criança pequena no colo na tarde de autógrafos. Era uma menininha. E a cena se repetiu após o show no Empório, á noite. E agora de novo. Estarei pronto para virar pai? Ah, que presente de Deus seria! Busão.

Dou uma cochilada, tomando água mineral. Deu “rabuje” de breja. Banda no busão. Hotel. Banho. To pelado, deitado no sofá, ouvindo o cd novo sendo reproduzido no computador. Parece que corri uma maratona. O interfone toca. Precisamos ir. Arrumo tudo. O interfone toca.

- To arrumando a porra toda.

Beleza. Busão. Vamosimbora. São Paulo, here we come. Brigado Robinho, mais uma vez foi uma honra tocar em Telêmaco Borba!

Brigado Deus pelos bons shows. Leva a gente bem pra sampa. Inteiros!

 



Escrito por paulaovv às 19h40
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Sábado – 3 de outubro de 2009

 

To aqui, meio dormindo, meio acordado, deitado, pelado, com a tv ligada sem som, o cd novo no repeat e fritando na cama. Olho o relógio e vou meio que controlando o tempo pra arrumar esta “favela” de roupas penduradas e molhadas pelo chão. Heim? Onze da manhã? Começo a arrumar tudo. É roupa pra caraio, do Raul, de Pirata, do Genelvis, Homem Lindo, duas de padre, roupão, camisetas, samba-canções, joelheiras, tênis, caraio...Coisa pra cacete. Epa, preciso cagar. Caguei. Voltei pra arrumação. Tudo ajeitado e quinze pra meio dia. Banho. Bronha. Pronto. Desçamos, pois.

Tamaqui, na recepção do Bonaparte Express, aguardando a galera, o busão, tudo. Rico, Juju, Cavalo, Marcinho, Rodrigo, Edu já tão. Banas desce depois, Roy é o último. Bora pro busão. Serão cerca de duas horas até Ponta Grossa. Penso em tentar cochilar, mas os sons legais vão se sucedendo no I-pod e abro uma latinha. Depois outra. Mais uma. Já to dançando. E desce outra. Uhu! Quando vejo, já estamos em Ponta Grossa. Antes do hotel, almoço na churrascaria Papai Côgo, do meu amigo Zeca e do irmão dele. Na verdade, da família. O Zeca não ta na área, mas o brother faz a presença. Carnes boas, saladas e que tais. Um skolzinha em sociedade com o Roy. No fim, o irmão do Zeca ainda faz um puta desconto e só cobra as bebidas. Amigo é amigo, né veio? Brigado Papai Côgo. A gente sempre se sente em casa aqui. Antes de sair não faltam fotos e autógrafos. Algumas pessoas fazem referencia ao “Paulão do CQC”, mas que eu corrijo: “Paulão das Velhas Virgens”.

Busão. Hotel. É o tempo de pendurar as coisas, trocar de roupa e sair pra tarde de autógrafos, lançamento da revista em quadrinhos e do novo cd num shopping da cidade. Pra ser bem sincero, estas tardes de autógrafos nunca são muito concorridas. A gente bebe umas e outras, bate papo com alguns fãs e tal. Minto. A de lançamento da revista em quadrinhos em Porto Alegre foi bem legal e concorrida. Mas em geral não é. Não somos exatamente celebridades, ok!

A gente chega de van, por uma porta traseira do shopping e vamos subindo, pelo elevador de carga até que uma outra porta de abre estamos numa praça de alimentação. Olha a livraria aí! Opa, tem uma galera. Opa, tem cerveja. Caraio. Armaram um lugar com Tv de plasma passando o clip novo do Velho Safado e o cd rolando as músicas novas. Caraio, tem bastante gente. Cool. A gente fica cerca de duas horas no local e a rotatividade de pessoas é intensa. Caralho, este novo disco está prometendo. E tb a revista, o clip novo, todas estas outras coisas que o Cavalo tem corrido atrás. E o buxixo em torno da minha participação no CQC tb. Ou então, o que explicaria estas duas mocinhas com não mais de 12 anos chorando abraçadas comigo, dizendo que eu sou lindo e que elas me amam? Um descontrole de fã que eu só vi acontecer com ídolos populares mesmo, esportistas, gente famosa de fato. A gente é apenas uma banda independente de rock’n’roll, uns bêbados tarados, fazendo o que gostam. Mas confesso que me senti sei lá quem...Fábio Jr? Cavalo diz que somos “emões”. É o humor ácido dele! Num sei...Isso nunca aconteceu comigo. Mas é gostoso! Eh,eh,eh!

A melhor tarde de autógrafos de que já participei. Ponta Grossa é mesmo du caraio. No meio da loucura toda, um mano me presenteia com Eisenbahns especiais da Oktober fest. E começo a beber ali mesmo, entre Kaisers(blergh) e Heinekens em lata. Acabou. Fotos com o pessoal da loja.

Bora.

Direto pro Empório passar o som? Não! Não tem nada pronto! Vamos pro hotel dar um tempo. Quando batem quase sete da noite, Banas nos chama pra ir pro bar. A gente não passa som faz muito tempo. Os meninos da técnica acertam tudo e a gente só vai na hora do show. Mas vcs sabem a quantas anda esta estréia precipitada, certo? Temos que fazer um ensaio geral pra acertar detalhinhos e detalhões.

E mesmo assim, o som demora pra aprontar. Na tv o timão ta perdendo de um a zero do Furacão, em pleno Pacaembu. Havia vários torcedores do Atlético Paranaense na tarde de autógrafos e vários trocaram bravatas comigo. Já to vendo tudo que a galera vai ficar me tirando durante o show. Eu e Simon, os mais fanáticos dentre os corinthianos da banda, ficamos ligados no jogo e ao invés de vermos um empate do Corinthians, temos que engolir dois a zero. Vai tomar no cu! Roy sai pulando ao meu lado, porco filho da puta.

- Ah, é assim que vc quer que as coisas sejam? Ok. Deixa seu time se fuder que vc vai ter que me agüentar.

Esta ameaça é minha. Fiquei puto com o segundo gol do adversério e soltei os cachorros pra cima do Roy. Este porqueta vai se fuder comigo! Quer ser malandro? Então vamos ver se vc é mesmo malandro!

Cai o sinal da transmissão. Vamos pro ensaio geral. Caran solta o coro gravado de “Eu vou, eu vou, pra dentro da garrafa, agora eu vou”. Contagem do Simon e lá vamos nós de Gênio da garrafa. Ok. Termina e Tuca já emenda Elvis. Beleza. Simon erra o finzinho, a gente refaz e beleza. “Esta mulher só quer viver na balada” eu tento fazer sem ler e erro um pedaço da letra. Mais tarde eu não vou errar, meninos, sorry! Depois são duas antigas: Tudo que a gente Faz e Toda Puta Mora Longe, que está de volta ao set. Ok. Juju entra com Cafajeste. Beleza. Oriento sobre o discurso que ela deve fazer no meio, chamando as moças a cantar o refrão com ela.

Volto e fazemos o Velho Safado em dueto. Ela sai. Eu bebo sim. Beleza. Ninguém Beija como as Lésbicas eu tenho que ler. Letrinha complicada. Preciso decorar. Daí é o dueto da Ju e do Roy. Ótemo. Ela emenda Buceta. Eu combino com eles de entrar depois do segundo refrão e interromper, já vestido de padre, fazendo aquela pasmaceira de sempre, e iniciando a homilia que antecede “Se Deus não quisesse”. Ok. A Ultima partida de bilhar eu acho que faço sem colar. Cavalo puxa Siririca. Hum. FDP preciso olhar. Madrugada e Meia. Abre essas pernas! No bis, precisamos passar Juju cantando “Só pra te comer”. Antes eu, Tuca, Roy e Simon tentamos fazer “O amor é outra coisa”. Não sai. Eu não sei a letra direito. Nem lendo. A guita do Roy não está na pulsação exata. Está abordata da noite de hoje. Um trechinho de Bortolotto Blues e pronto, com Banas já torrando nosso saco, porque a casa precisa abrir. Porra, tamos brincando ou ensaiando? Caralho!

A galera vai jantar numa churrascaria. Peço que o motora me leve pro hotel. Ta muito perto da hora do show, mais de dez da noite. Some-se a isso meu nervosismo de estréia e é melhor não comer nada. Fico no quarto, pelado. Ligo pro Banas pra saber que horas ele nos quer na recepção. Meia noite e vinte. Dou aquela relaxada. O Timão perdeu de três a um. Sem comentários! Numa noite importante e tensa como esta vcs aham que a derrota do Corinthians me afeta? Afeta. Afeta pra caralho! To fudido da vida!

Deu a hora. Montei a mala com os figurinos da noite, a saber: Genelvis, Velho Safado e Padre. Bora. Tamo entrando. Algumas pessoas nos saúdam da rua. Uns gritam CQC. Acho que este lance vai me seguir por algum tempo. Dentro. Ajeitando as coisas do camarim. Tem um programa de Tv querendo nos entrevistar. Fico bebericando e esperando faltar meia hora pra me trocar. Passo as colas com Marcinho. É um risco. O palco é baixo e a papelada estará ao alcance da mão das pessoas. Basta alguém arrancar aquela porra dali e eu ficar perdido em pelo menos duas músicas. E tem tb o sistema de troca de roupas, onde a gente nunca sabe o que pode dar errado. Ok. Estou virando Genelvis. Parei com os alongamentos desde que as dores nas costas chegaram e ainda não se foram completamente.

Pronto. Ouço piadinhas de que estou mais pra pai de santo ou filho de Gandhi. Ok. Os meninos, em suas roupas de croupiers, tb têm uma onda de entregadores de comida chinesa. Mas tá todo mundo estiloso! Os figurinos da Juju é que estão sensacionais! Ponto pra minha comadre Juliana, esposa do Cavalo.

Entrevista antes. Outra entrevista. Bora. Caran solta o áudio “eu vou, eu vou” e tamo no palco. Me esforço pra fazer aquelas poses do Elvis. Vamos pra letra. Ta tudo indo, mas bancar o Elvis tira meu fôlego, que falta pra cantar. Preciso dosar isso. Cover do Elvis não faz muito sucesso. Esta Mulher...rola bem, mas preciso de mais ajuda no coro, pois é muita coisa preu falar. As duas seguintes vão bem, como eu esperava. O show ta indo. Saio e deixo Juju com Cafajeste. Ela se enrola um pouco no texto pra convocar as moças a chamar os rapazes de cafajestes. Mas rola. Cavalo se engana e puxa Buceta. De algum modo eles se acertam no palco e  ele para. Começa minha música geriátrica. Volto com barba, bigode e cabeleira branca, cueca samba canção e camiseta para “Velho Safado”. O misancene funciona. Juju sai e, já sem peruca e barba, faço Eu bebo sim que sempre funciona. “Ninguém beija como as lésbicas” funciona tb. Sem problemas com a cola. O resto vai indo. Dueto de Ju e Roy ta rolando. Ju puxa Buceta. Passa batida na segunda parte antes do segundo refrão, mas não dá nada. Entro, interrompo como combinado e meto Deus é pai na fita. Ok. Tiro a batina. Ultima Partida de bilhar com a galera cantando junto. Siririca. Quando saí pela última vez, Banas me informou que tínhamos cerca de 30 minutos de show, passando da metade. Compreendi que precisava pesar no discurso de Siririca para deixar o show com mais tempo. Na verdade, até para diferenciar do outro show, a idéia era encurtar este discurso. Mas precisaremos dele, pelo que to vendo. Beleza. Depois é FDP. Adesão média, leitura da letra boa. Eu havia empurrado a cola para debaixo do retorno com o pedestal do microfone, mas Marcinho consertou. Hum!

Madrugada e Meia é antecedida de discurso. Era outra que deveria entrar direto, sem papo furado. Beleza. Abre essas pernas. Terminou. Caran solta o “eu vou, eu vou”. A banda volta pro bis com Juju cantando “Só pra te comer”. O nervosismo faz ela passar batida na ponte, mas não dá nada. Volto e começo Beijos de Corpo e a banda não vem. A primeira parte acaba ficando meio á capela e, mesmo sem querer, funciona. A batera só entra no refrão. Ok. Uns drinks. Foi. Cavalo dá o acorde e eu começo a cantarolar Bortolotto Blues, só um trechinho, para ficar repetindo o refrão e chamar a galera pra cantar com a gente. Acabamos abraçados e cantando com a galera: “então vê se goza logo, pra gente voltar pro bar”.

Camarim. Ta todo mundo feliz. Salvo algumas desatenções e errinhos, a porra funcionou. O povo de Ponta Grossa, como sempre, foi super receptivo ás novas canções. Ponta Grossa é foda. De zero a 10, eu diria que conseguimos um oito,apenas o que é muito pra um dia de ensaio. Bebedeiras e abraços. Saio pra falar com a galera e o assédio está acima do normal. As pessoas não estão acostumadas com nossas saídas depois do show. Pelo menos estas que estão ao meu lado. Fotos, abraços, beijos, autógrafos e o DJ que rolou “A Casa do rock”, do Casa das Máquinas, ao final da nossa apresentação, está mandando muito bem com AC/DC e KISS. UHU! Momento de êxtase na pista de dança. Vai pra lá, vem pra cá, elogios e bebedeiras no camarim, fui pro busão.

Hotel. Cinco e meia da matina. Banho. Arrumo minhas coisas. Desço pro café. Daí pro Busão. Bora pra Telêmaco. Apago antes que o busão saia.

 



Escrito por paulaovv às 19h01
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Sexta Feira – 2 de outubro de 2009

 

Oito de la matina. Jump. Jornal. Merda!

É hoje que vão definir a sede das olimpíadas de 2016. Continuo achando que vai dar Madri. Sorte pro Rio e pro Brasil.

Ronaldo voltou da resolução dos “imbróglios” pessoais na Espanha, treinou e joga amanhã contra o Furacão no Pacaembu! Ronaldo em campo só tem um adjetivo: alegria!

O terremoto no sodoeste da Ásia matou mais de mil e a coisa pode subir ainda mais. Puta merda!

Tutty Vasques lembra que se a mulher do Barack Obama for a Copenhague ajudar Chicago a ganhar a sede da Olimpíada de 2016 com “aquelas” alcinhas, não tem pra ninguém! Depois dizem que as Velhas Virgens é que são taradas. Todo mundo só pensa em sexo, mano! Ele fala tb de um encontro entre Massa e Nelsinho Piquet num kartódromo. E no encarte de esportes está lá a foto. Massa com uma cicatriz ainda pronunciada na testa e completamente sem graça abraça o cara que, com um acidente forjado, tirou suas chances de campeonato naquele maldito Grand Prix de Cingapura, entre outras coisas! Foda! Olha! O que este rapaz, filho do lendário tri-campeão, fez é coisa muito séria para quem gosta de esportes. Muito séria. Ele deveria ser banido do esporte, sabe!

Os cientistas estão analisando o esqueleto de um ancestral humano (Ardi) que viveu na terra, mais especificamente na Etiópia, e que esteve por aqui um milhão de anos antes da até então mais antiga parente nossa, a Lucy.  Ardi, tb fêmea, viveu há 4,4 milhções de anos. Um chimpanzé metido a Oscar Schmidt, eu diria.

E a porra do vazamento da prova do Enem? Caraio! Que cagada. Diz a matéria que “dois homens” procuraram o Estadão pra vender a prova. Os jornalistas teriam lido a prova, decorado algumas questões e com este testemunho convenceram as autoridades de que era preciso transferir o exame. Alunos perguntados sobre o ocorrido se dividem entre “...ainda bem, pois posso estudar mais” e “...eu já estava preparado para o exame e vou sofrer com o adiamento”. Eh estudantaiada que só olha pro umbigo. A prova foi divulgada antes de ser aplicada, buceta. Isso é fraude, crime. Acaba com a possível isenção e veracidade do exame. Tem que transferir, mesmo. Lembro bem que quando um dos meus irmãos fazia faculdade, conheci um estudante que, pasmem, vivia de vender provas de vestibular dentro da escola. O cara não podia se formar, pois se terminasse os estudos não teria mais acesso aos exames e não poderia mais comercializa-los. Olha que filho da puta!

Quantos caras não se fuderam porque perderam sua vaga pra alguém menos preparado que comprou a prova e passou? Hoje tem faculdade a cada esquina, mas a coisa não era assim há 20 anos. Vc vai lá, estuda pra caralho e se fode porque alguém tem grana e comprou seu futuro profissional! Foda!

Hum. Uma matéria sobre os melhores pastéis de feira de São Paulo no Guia do fim de semana. Hum, hum, hum!

E chega de papo. Bora atualizar. To ouvindo “O amor é outra coisa” no repeat do CDMan que um dia soquei porque pulava e, surpreendetemente, voltou a funcionar. Leva-lo-ei para tentar decorar as letras novas!

E já, já vou me mandar pro SBT. Fazer sets, colas, fichas, roteiros e tudo que me envolve nesta sexta. Lá pelas três da tarde tenho que me mandar pra Cumbica. Vou com meu carro e vou deixá-lo por lá até terça de manhã! Bora!

Puta transito louco na Marginal. Era tudo que eu precisava neste eterno atraso em que vivo. Olha só, tem um caminhão parado na faixa central da pista lateral. Na frente, uma moto atravessada, um capacete no chão e um motociclista em pé. É o dono da moto. Não há vítimas. Por que não tiram esta porra deste caminhão com moto e tudo para a lateral e param de prejudicar a vida de milhares de pessoas que estão sendo afetadas por este congestionamento? Puta que pariu!

Consigo superar esta merda de cenário de acidente, ando um pouco e pára tudo de novo. Olha lá: na mesma faixa em que estou tem uma moto estabacada no chão. Os caras do CET cercaram a moto com cones e interromperam a circulação naquela faixa. E pára tudo de novo. Porra, se tivesse alguma vítima ali, ok, isola o local. Mas não tem ninguém humano caído: tira a porra da moto daí, porra! Vai tomar no cu, CET!

SBT. Faço as fichas do palco do “Vc não vale nada...”, faço a ficha da estréia do TV Animal. Começo a ajeitar as colas e sets pros shows do fim de semana. Tem que imprimir tudo! Magrão vem bater papo e nota que minha mesa, zoneada igual á dele, tem um monte de letras de músicas e sets que nada tem a ver com o Domingo Legal. Vejo em seus olhos até uma certa vontade de perguntar que porra é aquilo. Mas ele sabe exatamente o que é: coisas das Velhas Virgens.

O pessoal vai almoçar e me convida, mas mal tenho tempo de fazer tudo que preciso. Quando já to arrumado e pronto pra sair, Jotaerre me chama para alterar algumas coisas nas fichas do Celso. Lamento, to indo, véio. Pede pra galera que eles consertam a parada. Fui.

To no busão do SBT, sentido Barra Funda. A marginal ta tão trancada que o motorista opta por fazer o trajeto pela Lapa. E mesmo assim, a coisa demora. Chego á Barra Funda pelas quatro. Fila grande para comprar bilhete para ir de metrô até a estação Tietê, de onde sai um busão direto pra Cumbica, onde pegarei meu vôo pra Curitiba pelas 19h48.

Metrô. Quando chega na baldeação da Sé para a coisa lota pra valer. Ok. To na linha azul, sentido Tucuruvi. Desço na Tietê e me dirijo ao guichê para comprar a passagem pro aeroporto. Por volta de 16h30. A vendedora me diz que os ônibus estão saindo com uma hora de atraso. Sairia 17h05, mas vai sair é 18h05. Porra, se levar mais uma hora pra chegar dá mais de sete da noite. Num dá! Reconsidero, pego a grana da passagem de volta e vou atrás de um táxi. No caminho uma moça loira emparelha comigo e me diz que tava torcendo pra mim, no CQC, claro!

- Vc era o melhor, que pena que vc não entrou!

Agradeço e sigo todo cheio. Isso é simplesmente incrível. Esta resposta das pessoas é absolutamente inesperada para mim.

Táxi. O motorista diz que ta tudo parado na marginal e eu sugiro que cortemos pela Vila Maria. É o que acontece. O telefone dele toca insistentemente e dá pra sacar que é sua companheira. Ele desliga uma, duas, três vezes e na terceira, ao me ver bater boca com a Dex via fone tb, comenta que “mulher é tudo igual, né?”

Eh, eh, eh !

- É, companheiro, elas sabem ser chatas quando querem!

Puta transito na Dutra. Pára, anda, corta pra lá, vem pra cá. O taxista faz o que pode, mas a Dutra parece um clone da Marginal. Que cidade impossível de se movimentar está se tornando São Paulo.

18h10 e to descendo do Táxi. Gastaria 32 reais de busão e gastei 65 reais de táxi. E cheguei! Nada mal.

Faço o check in eletrônico. Pronto. Agora é só tomar umas e outras. Lembro que não almocei. Ok. Comi um misto rapidinho na Casa do Pão de Queijo na Tietê. Mas isso não é almoço. Almoço é isso: uma Guiness. Uhu!

Peço tb uma coxinha e depois um chopp 400 ml da Heineken. Lembro que dentro da área de embarque tem um bar da Devassa e resolvo experimentar. Pago e vou. To aqui no balcão do Bar da Devassa. O som ambiente é Zeca Pagodinho. A decoração é simpática, os alemães falam daquele jeito que ninguém entende ao meu lado. E mando um chopp Índia, a versão Devassa da Pale Ale. 500 ml. Uau! Geladaça. Delícia. Começo a falar mais que o homem das cobras. Sabe aquela fase em que o álcool deixa a gente meio eufórico? To nessa fase.

Peço um copo de vidro e os caras me conseguem uma caneca. Mais uma. Delícia! Bato papo com um cara que bebe vinho ao meu lado! Falamos de política e outras bobagens. Opa, ta na hora. Pego uma “ruiva” pra viagem e vou pro portão 5. Não há nada lá. Pergunto pruma moça “cadê o vôo de Curitiba?”. Mudou pro portão 3 que era na frente do Bar da Devassa. Vou matando minha Ruiva Long neck enquanto sigo na fila. Matei. Jogo a garrafa no lixinho e vamos lá. Não sei se já disse, mas to bem atrapalhado. E feliz!

 

XXX segue abaixo



Escrito por paulaovv às 18h24
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Minha poltrona é na última fileira. Entro e vou direto pro banheiro mijar uma parte desta cerveja toda. Ao sair jogo aquela baba de quiabo no comissário de bordo:

- Tenho uma doença terminal e preciso urgentemente de uma latinha de cerveja antes do vôo sair!

O cara não ri, argumenta que não pode servir nada antes da decolagem. Eu digo que to na última fileira e que ninguém vai saber. Ele diz ok!

To aqui, sentado na janela, ao lado de um cara que pela quantidade de galões na farda é um comandante de vôo, piloto, capitão. Passo a chamá-lo de comandante e a gente vai conversando durante todo o vôo, enquanto a cerveja corre solta. É matando uma e acendendo a seguinte. O papo com o comandante é ótimo. Na verdade, empolgado pela cerveja que corre nas minhas veias, passo a entrevista-lo a là Banas. Descubro que as tripulações têm ligação com o tipo de aeronave em que trabalham. Por exemplo, um avião “x” que faz rotas nacionais tem uma série de possíveis tripulantes. O cara pode estar em qualquer vôo que aquele tipo de avião faça. Se o avião tiver autonomia pra fazer vôos internacionais, vc vai pra fora do país. Ficou claro? Não? Foda-se. É conversa de bêbado, mesmo!

Comandante não quer beber cerveja durante o vôo mas diz que tem um churrasco á sua espera em casa, numa cidade próxima de Curitiba. Pergunto sobre este papo furado de desligar celulares e aparelhos sem fio e tal, se isso realmente pode atrapalhar algum procedimento ou se é lenda. Ele me esclarece que, um dia, fazendo um pouso num aeroporto de difícil aterrissagem, acabou tendo que fazer uma arremetida. Na segunda tentiva o avião desceu. Ao taxiar, o piloto notou que seus radares internos indicavam a pista de pouso em dois pontos diferentes. Averiguando o que ocorria na aeronave, descobriu que, antes mesmo de autorizados, os passageiros começaram a fazer ligações de celular para os familiares, premeditando um acidente e realizando despedidas telefônicas. E que o acumulo de ondas provenientes dos celulares teria descalibrado os aparelhos que localizam a pista de pouso. Olha ai, um fato, uma coisa real, que prova que as ondas sonoras ou sei lá que tipo de onda podem prejudicar mesmo o funcionamento das aeronaves.

E neste papo furado todo, estamos no chão.

Despeço-me do gentil comandante. E bora. Ligo pro Banas. Ele não pode vir me buscar. Pego um táxi. To no Hotel. Vou direto ao quarto do Banas. To doidão! Conversamos sobre o set e tal. Vou pro meu quarto. Ligo pra galera que ta jantando e peço que passem no meu quarto pra gente definir o set do show tributo ao Raul, com Marcelo Nova, Tico Santa Cruz, Nasi, Relespública, Baia e tal.

Ligo pro restaurante e mando vir um tal de brasileirinho, um rango com arroz, feijão, couve e um picadinho, tudo delicioso. Enquanto rango, o povo chega.

Bem, temos uma hora de show, cortamos algumas canções, mantemos praticamente tudo do Raul e ta tudo certo. Preciso desta definição pra montar meu set de figurino. Ok.

Tomo um banho. Fico andando pelado pelo quarto. Quando vejo, ta na hora de descer. Vamos pro palco pelas três da manhã. Uma e meia e tamo embaixo, no hotel, prontos pra sair.

Bora pro moinho. Camarim. Caraio, olha o Ricardinho, meu amigo de faculdade, com quem fui estagiário no início da 89 FM, a rádio rock, em 1986. Ele agora trampa na rede Jovem Pan e ta visitando Curitiba. Porra, saudades do cara! Corinthiano vagabundo!

Vou ao camarim ao lado e encontro Nasi. Comento de uma foto de divulgação onde ele aparece de chapéu e charuto como bluesman, mas que, na verdade, ele ta mais prum babalorixá, que é a religão que ele está praticando, o candomblé. Ele ri e diz que tudo está se “candombleizando”, música, cultura em geral. Acho que o teor do papo é este.

Volto pro meu camarim, papos furados, drinks, lá no palco vai rolar uma jam com todo mundo cantando “Aluga-se” do Raul. Vamos eu e Ju. Cumprimento Marcelo Nova no palco. Digo que ele ta elegante. Tamos todos cantando. Acabou.

Os caras ainda tocam mais uma. To no camarim de novo. Colocando minha roupa de “Virgulino Sparrow”, provavelmente pela última vez nos próximos tempos. O pirata inspirado em “Piratas do Caribe” cumpriu poderosamente sua função de abrir os shows de duas turnês e agora vai pro meu museu de figurino. Próxima atração: Genelvis, amanhã em Ponta Grossa.

Fazemos um set mais curto, sem Homem Lindo e Blues do Velcro que também estarão sendo devidamente colocados em férias, sem data pra voltar. O show começa muito estranho, com falhas incríveis de retorno. Ouço mal minha voz, o baixo do Tuca e um poquinho de batera. Nada de guitarra nenhuma. Porra. Me dá vontade de parar e mandar acertar a cagada. Na frente, o povo não reage muito o que me faz crer que também não estão ouvindo muita coisa. Hum! A partir da segunda e da terceira música as coisas vão se normalizando no retorno, exceto pela minha voz que sumiu de vez. Quando sinto que há algo errado com o som “peso” na coisa teatral pras pessoas não pensarem no som. Exagero nas latadas, nas caminhadas pelo palco, enfim, chamo a atenção do povo pra mim.

Saio pra trocar de roupa, lembrando que esta rotina específica de mudança de figurino tb está acontecendo pela última vez. Marcinho vem ao camarim me perguntar como está o som e ouve o óbvio.

- Não ouvia nada de guitarras no início e não ouvi nenhuma vez a minha voz!

Quando volto, a voz, surpreendentemente está perfeita. Alguém explica? Nem eu!

Entre uma canção nossa e outra, alguém menos paciente com nosso repertório reclama querendo que toquemos Raul, como se estivesse diante de alguma banda de axé ou pagode que desconhece a importância vital da obra de Raul Seixas dentro do rock brasileiro. Páro o show e explico, meio alterado.

- Raul Seixas começou tocando covers de rock’a’billy. Se um dia ele não assumisse o risco e resolvesse cantar suas próprias canções, ninguém conheceria Raul Seixas. É exatamente o que estamos fazendo aqui, falando pela nossa boca. Eu prefiro falar pela minha própria boca a repetir o que outros já cantaram. Meu respeito a quem tocar cover. Eu canto o que penso!

A galera compreende, até porque quem está no palco tem competência para falar de rock no Brasil. E o show segue.

Ao final, antes mesmo que show acabe, saio correndo, coloco a também “agonizante” roupa de mago e volto pra fazer os covers do Raul, com prazer e orgulho. Limamos “Aluga-se” que foi cantada antes pela jam. Incluímos “Conversa para Boi dormir” e “Sábio Chinês” e finalizamos com “Rock das Aranha”. Boa noite, Curitiba! Bye, Bye, Cubanajarra!

Bebedeiras no camarim. Caganeira. Drinks com o Ricardinho e a galera. O show terminou mais de quatro e meia da matina. Quando saio pra falar com a galera, não há mais ninguém. Fico ali bebendo no camarim. Busão. Quarto. Café da manhã. Bode. Saída meio dia!

 



Escrito por paulaovv às 18h23
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